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R3 Explica / Gestão Financeira

A Selic caiu, mas o empréstimo não ficou barato

Empresário analisa o custo de um empréstimo com o auxílio de uma profissional financeira.

A taxa Selic caiu para 14% ao ano, mas o pequeno empresário precisa tomar cuidado com a conclusão que tira dessa notícia. A redução da taxa básica não significa que o empréstimo oferecido pelo banco ficou barato — e muito menos que chegou a hora de assumir uma dívida nova.

A Selic influencia o custo do crédito na economia, mas ela não é necessariamente a taxa que chegará à empresa. O banco também considera o risco do negócio, o prazo, as garantias, o histórico de pagamento e as condições específicas de cada operação.

Além dos juros, podem existir tarifas, seguros e outros encargos. Por isso, a primeira informação que o empresário deve pedir não é apenas a taxa anunciada, mas o Custo Efetivo Total, o CET.

O CET mostra quanto a dívida realmente custa

O CET reúne os custos envolvidos na operação e permite uma comparação mais correta entre propostas.

Um banco pode apresentar uma taxa aparentemente menor, mas cobrar tarifas ou acrescentar outros custos que tornam aquela opção mais cara. Outra proposta pode ter uma prestação parecida, porém um prazo muito maior e, consequentemente, um valor total pago bem mais alto.

Antes de assinar, peça o CET, some todas as parcelas e confira quanto será devolvido até o final do contrato.

Uma prestação aparentemente pequena, multiplicada por dois ou três anos, pode revelar uma dívida muito maior do que parecia.

A queda dos juros não corrige uma empresa com prejuízo

O perigo aparece quando o empresário ouve que os juros caíram e começa a considerar o empréstimo como solução para qualquer aperto:

"Talvez seja a hora de financiar um estoque maior."

"Talvez eu possa pagar os impostos atrasados."

"Talvez dê para cobrir o caixa deste mês."

"Talvez eu possa manter minhas retiradas e esperar a empresa se recuperar."

A queda da Selic não aumenta a margem dos produtos, não reduz as despesas e não gera o dinheiro necessário para pagar as parcelas.

Crédito não conserta falta de gestão. No máximo, compra tempo — e tempo comprado com juros pode sair caro.

Antes do empréstimo, responda três perguntas

A primeira pergunta é: para que exatamente esse dinheiro será utilizado?

"Aliviar o caixa" ainda não é uma resposta completa. É preciso descobrir o que está apertando o caixa. Houve uma dificuldade pontual ou a empresa gasta mais do que recebe todos os meses?

A segunda pergunta é: esse dinheiro produzirá algum retorno?

Se o empréstimo financiar estoque, por exemplo, qual é a previsão realista de venda? Qual será a margem? Em quanto tempo a mercadoria voltará a se transformar em dinheiro?

Comprar estoque com dinheiro do banco sem calcular o prazo de venda pode deixar o empresário com duas coisas paradas: a mercadoria na prateleira e a parcela vencendo.

A terceira pergunta é: de onde sairá o dinheiro de cada prestação?

Não basta a parcela caber no mês bom. Ela precisa caber quando as vendas caírem, um cliente atrasar ou aparecer uma despesa inesperada.

Você sabe quanto o empréstimo realmente custará? Antes de contratar crédito, é importante analisar o CET, o fluxo de caixa e a capacidade da empresa de pagar as parcelas sem comprometer a operação.

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Quando o empréstimo sustenta despesas recorrentes

Uma dificuldade pontual pode acontecer. O sinal de perigo aparece quando a empresa precisa contratar crédito repetidamente para pagar impostos, folha, fornecedores ou retiradas dos sócios.

Quando o empréstimo passa a sustentar despesas recorrentes, o problema deixou de ser somente falta de crédito. O desequilíbrio está na estrutura financeira da empresa.

Nessa situação, uma dívida nova pode apenas esconder o problema por alguns meses enquanto aumenta o valor das obrigações futuras.

O empresário precisa revisar preços, margens, despesas, prazos de recebimento, retiradas e geração de caixa antes de adicionar uma nova prestação ao orçamento.

Empréstimo precisa ter finalidade e capacidade de pagamento

O crédito pode ser útil quando possui uma finalidade definida, um retorno calculado e uma fonte realista de pagamento.

Ele pode financiar uma expansão, um equipamento, estoque ou capital de giro. Mas a decisão precisa considerar o resultado que o dinheiro produzirá e o prazo necessário para esse resultado chegar ao caixa.

Compare propostas, confira o CET e faça uma simulação incluindo meses de vendas mais baixas. A empresa não pode depender de um cenário perfeito para conseguir pagar a dívida.

A Selic pode cair novamente, mas dívida ruim não se transforma automaticamente em dívida boa.

A taxa pode cair. A responsabilidade do empresário na hora de decidir, não.

Sua empresa precisa de crédito ou de uma revisão financeira? Antes de assumir uma nova dívida, vale entender o que está pressionando o caixa e se a empresa possui condições reais de pagar as parcelas.

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Perguntas frequentes

A queda da Selic reduz automaticamente os juros do empréstimo?

Não. A Selic influencia o custo do crédito, mas a taxa oferecida à empresa também depende do risco, prazo, garantias, histórico e condições da operação.

O que é o CET de um empréstimo?

O Custo Efetivo Total reúne os custos da operação, permitindo avaliar quanto o crédito efetivamente custará e comparar propostas com mais segurança.

Vale a pena usar empréstimo para pagar impostos ou folha?

Uma dificuldade pontual pode exigir uma solução emergencial. Porém, quando o crédito passa a financiar despesas recorrentes todos os meses, é necessário revisar a estrutura financeira da empresa.

Fontes consultadas

  1. Banco Central do Brasil — decisão do Copom sobre a taxa Selic
  2. Banco Central do Brasil — dados abertos sobre taxas de crédito e Custo Efetivo Total
  3. Banco Central do Brasil — normativos sobre o cálculo e a informação do Custo Efetivo Total